A BOA E A MÁ TEOLOGIA

em terça-feira, 19 de maio de 2020

Por Eguinaldo Hélio de Souza


Falando da situação de Evangelho no mundo, as perspectivas para a Europa são assustadoras. Basta ler o pensamento do líder Líbio, Muamar Kadafi, expresso há algum tempo atrás: “Há sinais de que Alá garantirá vitória na Europa sem espadas, sem armas, sem conquistas. Não precisamos de terroristas ou homens bombas homicidas. Os mais de 50 milhões de muçulmanos na Europa a transformarão em um continente islâmico em poucas décadas.”

É uma previsão sinistra se pensarmos na contribuição cristã da Europa para o mundo. Mesmo que não se torne realidade, a simples possibilidade de tal fato traz preocupação e nos leva à pergunta de como isso pode acontecer em uma região que foi celeiro de líderes, missionários e avivamentos. O Evangelho partiu de Jerusalém, mas foi a partir da Europa que ele alcançou o mundo, em ondas sucessivas, quer de compreensão, quer de divulgação, quer de fortalecimento da Palavra.

Desde os homens e movimentos santos de Deus no continente europeu à atual islamização, insere-se uma teologia destrutiva, que longe de servir para estruturar a fé cristã, funcionou como uma osteoporose, tornando doente o edifício todo do cristianismo. Essa má teologia foi como uma podridão nos ossos. Ao invés da profecia que transforma ossos secos em exércitos, a erudição incrédula fez das hostes santas, ossos ressequidos.

Os avivalistas sempre criticaram a ortodoxia morta. Todavia, existe algo pior do que isso. É a destruição da própria ortodoxia. Quando a teologia liberal surgiu minando os alicerces da própria fé cristã, era evidente que seu resultado inevitável seria um cristianismo fraco e decadente.

A verdade é que um cristianismo forte é impossível sem uma teologia forte. Quando ao invés de tornar a verdade bíblica mais clara ela a obscurece, então a teologia está prestando um desserviço. A “teologia” de alguns eruditos incrédulos foi ao longo do tempo produzindo cristãos e líderes de quinta categoria, duvidosos de suas crenças, incapazes de despertar nos homens a rendição a Deus e de resistir ao secularismo crescente.

Nomes como Friederich Schleiermacher (1768 – 1834), Albrecht Ritschl e Adolf Harnack (1851 – 1930) são nomes ligados a essa teologia liberal, morta e mortífera, que ao invés de sustentáculo intelectual da fé, significou seu ocaso. Uma exposição resumida do pensamento de Schleiermacher tornará evidente esse fato: “A Bíblia, declarou [Schleiermacher], não é a autoridade absoluta, mas o registro das experiências religiosas das comunidades cristãs primitivas; portanto não fornece um padrão para as tentativas contemporâneas de interpretar a relevância de Jesus Cristo para as circunstâncias históricas específicas. Ela não é sobrenaturalmente inspirada e infalível.”1

A ideia dessa teologia era que as verdades bíblicas eram incompatíveis com o pensamento científico da época e, portanto, eram insustentáveis. Ao negar a validade das Escrituras Sagradas como única fonte autorizada de revelação divina, todas as afirmações a respeito da salvação, de Deus, de Jesus, tornaram-se descartáveis, sendo substituídas por noções estranhas a fé dos apóstolos e do cristianismo histórico.

“A vinda de Jesus seria um acontecimento surpreendente, envolvendo distúrbios cósmicos. A chegada do reino seria um clímax absoluto – não uma passagem gradual – e transformaria radicalmente as circunstâncias e o caráter humano. Segundo Schweitzer, Jesus acreditava nisso e era o que ele ensinava, – mas, é claro, Jesus estava errado. 2

Se a Bíblia nada tinha de infalível, Jesus também não tinha. Ele não era “a verdade”, nem mesmo um revelador da verdade, apenas alguém com suas crenças, por sinal, ilusórias. Que tipo de cristianismo poderia produzir uma tal teologia? Com certeza, não uma teologia capaz de fazer frente a algo como o islamismo.

A invasão muçulmana é o resultado óbvio de uma cidade derrubada que não possui muros. A fé dos muçulmanos em suas crenças contrasta com a pouca confiança dos “cristãos” na Bíblia. Enquanto os teólogos relativizaram as verdades cristãs, o mundo muçulmano trabalhou para fortalecer suas crenças. Essa é uma das razões da atual situação. Jamais os que relativizam as verdades bíblicas poderão resistir aos que absolutizam seus enganos religiosos.

É impossível ler este texto do “teólogo” alemão Bruno Bauer (1809 – 1882) sem sentir um frio na espinha. O Mal também trabalha para perverter a intelectualidade humana, mesmo a que se diga a serviço de Deus.

Vejamos o que Bruno Bauer escreveu em 6 de dezembro de 1841 a seu amigo Arnold Ruge, que também foi amigo de Marx e Engels: “Faço conferências aqui na Universidade ante uma grande audiência. Não reconheço a mim mesmo, quando pronuncio minhas blasfêmias do púlpito. Elas são tão grandes, que estas crianças, a quem ninguém deveria escandalizar, ficam com os cabelos em pé. Enquanto profiro as blasfêmias, lembro-me de como trabalho piedosamente em casa, escrevendo uma apologia das Sagradas Escrituras e do Apocalipse. De qualquer modo, é um demônio muito cruel que se apossa de mim, sempre que subo ao púlpito, e eu sou forçado a render-me a ele (…) Meu espírito de blasfêmia somente será saciado se estiver autorizado a pregar abertamente como professor do sistema ateísta.3

O grande problema é confundir verdade com erudição, considerar que porque alguém é culto, todas as suas afirmações são verdadeiras. Um erudito sem novo nascimento, sem temor do Senhor e sem vida com Deus, vale tanto quanto um homem-bomba. Perece levando muitos consigo. Tal como os fariseus da antiguidade, esses eruditos fecham a porta do Reino, não entram e não deixam ninguém entrar. Assim foram, infelizmente, muitos notórios teólogos.

“O senhor ora?”, perguntou-se a determinado teólogo no final de sua vida. “Eu medito”, foi a resposta. Por que ele não orava? Não acreditava no Deus que respondeu a oração de Abraão, de Isaque, de Jacó? Não era capaz de ter um relacionamento com a Divindade, tal como Moisés, Josué, Samuel, Davi e os profetas? O conhecimento da verdade tem seu padrão na piedade (Tt 1.1). Um teólogo que não ora, dificilmente será um bom teólogo.

A erudição com certeza é necessária, até mesmo indispensável. Contudo, sozinha não basta. Uma teologia que negue ao invés de afirmar não nos trará nada de bom. A mente humana, dentro de suas limitações desse nosso mundo caído, só pode tornar-se um canal das verdades divinas quando ajudada pelo Espírito Santo. Não pode produzir por si mesma qualquer verdade salvadora.

Notas
1 OLSON, Roger. História da Teologia Cristã. São Paulo: Vida, 2001. p. 560.
2 ERICKSON, Millard J. Escatologia. São Paulo: Vida Nova, 2010.Pp. 30, 31.
3 Marx-Engels, edição completa de crítica e história, Casa Publicadora ME Verlagsgesellschaft, Frankfurt a. Main, 1927, vol. I, 1. In: WURMBRAND, Richard. Era Karl Marx um satanista? A Voz dos Mártires, p.25


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ALGUMAS COISAS QUE VOCÊ PRECISA SABER PARA NÃO SER ENGANADO PELOS "PESCADORES DE AQUÁRIO" DA INTERNET...

em quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Presbítero Bennet Brandon


Nos últimos anos tenho visto alguns crentes deterministas fazendo campanhas na web para recrutar ovelhas das igrejas de linha carismática e pentecostal. Exploram a "meninice" de alguns crentes e a carnalidade de pessoas não convertidas que estão no meio do rebanho de Deus. Alguns são descarados e gritam palavras de ordem e expressões do tipo "sai desta seita coronelista e vem para o nosso lado". Alguns ilustres adeptos desta artimanha até desconhecem que se formos honestos com a história, seremos obrigados a admitir que o coronelismo eclesiástico foi inventado por Agostinho de Hipona e colocado em prática da melhor maneira possível por João Calvino em Genebra (mas este tema controverso não será tratado aqui). Trataremos nas próximas linhas daquilo que o leitor leigo precisa saber para não virar presa fácil dos "pescadores de aquário" da internet.

[1] ENSINOS EXTRA BÍBLICOS NAS IGREJAS PROTESTANTES
O lapsarianismo, a quinta medida e o crente briguento... - Tem sido bastante comum o crente biblicamente leigo ser enganado na web, por pessoas que fingem ignorar que os grupos evangélicos que mais acusam outros grupos de quebrantar a regra da Sola Scriptura são aqueles que mais passam por cima dela.


[2] RELATIVISMO ESPIRITUAL E MORAL NO EVANGELICALISMO BRASILEIRO
 Aos pregadores relativistas... - O autor se deparou com várias pessoas que careciam de ajuda espiritual e foram ajudadas em tempo oportuno. São pessoas marcadas e feridas pelo relativismo espiritual e moral embutidos na mensagem que receberam do sistema religioso.
 O perigoso relativismo do evangelicalismo brasileiro - O texto enumera alguns links com algumas situações controversas do evangelicalismo brasileiro, as quais tornam o ambiente dentro da comunidade cristã igual ao ambiente mundano... Não caia no "conto do vigário fariseu"!

[3] PESCA DE AQUÁRIO NO EVANGELICALISMO BRASILEIRO
 Proselitismo calvinista nas Assembléias de Deus (Em Vídeo). Existem grupos virtuais, cuja função não é evangelizar, mas sim pescar nos aquários das denominações que eles mesmos apelidaram de "seitas carismáticas" ou "seitas pentecostais". O "método da tulipagem" tem sido usado por estes grupos, cujo interesse único é roubar ovelhas.

[4] O MÉTODO DAS ACUSAÇÕES FANTASIOSAS CONTRA OUTROS GRUPOS EVANGÉLICOS - EXEMPLO: DIZER QUE UM GRUPO RELIGIOSO INVENTOU UMA DOUTRINA, QUANDO NA REALIDADE ELA EXISTE E É PRATICADA POR VÁRIAS IGREJAS HISTÓRICAS DESDE O SURGIMENTO DA REFORMA PROTESTANTE
Os meios de graça e a crítica sem graça e sem conhecimento teológico. O texto mostra algumas mentiras grotescas propagadas por alguns grupos religiosos na web. O autor aponta ironicamente que a teologia de alguns grupos não teria vindo de Genebra, mas possivelmente do Afeganistão ou da Disneylândia.     

[5] A DESCARACTERIZAÇÃO PROPOSITAL, DESCARADA E DESCABIDA DE DOUTRINAS BÍBLICAS VIVENCIADAS POR IGREJAS CARISMÁTICAS E PENTECOSTAIS, PARA FAVORECER AS VAIDADES PESSOAIS DE ALGUNS GRUPOS DO CRISTIANISMO DETERMINISTA
"E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo" - 1 João 2:2 - Se certos crentes militantes do determinismo estoico e fatalista pudessem, arrancariam este e outros textos de suas bíblias, afinal os tais pregam que Cristo morreu apenas pelos eleitos. Para este tipo de religioso é mais fácil crer na teologia sistemática de um João que nunca esteve com Cristo, do que nas palavras canônicas do outro João, um discípulo fiel que andou com Jesus! Novamente a Sola Scriptura vai para o brejo, antes da vaca!
Os ensinos heréticos de John Mac Artur sobre o Sangue de Jesus - O texto apresenta e contesta as aberrações criadas por um conhecido teólogo determinista americano.
 Sermão pregado por pastor assembleiano sobre o clamor pelo sangue de Jesus. Os pentecostais clássicos antigos sempre amaram esta doutrina e nós pentecostais clássicos da nova geração também a amamos. Os deterministas não creem no poder do sangue de Jesus, porque para eles o que vale mesmo é a eleição de Deus feita antes da fundação do mundo. Creem que o eleito nunca se perderá. Para os tais o sacrifício de Cristo é secundário e sem valor. O nome disto é heresia. O texto bíblico quebra o determinista na curva... "E nos elegeu nele (em Cristo) antes da fundação do mundo(...) - Efésios 1:4" - Ninguém é eleito sozinho ou fora de Jesus - Se fomos eleitos nele, esta eleição é corporativa. Logo precisamos do sangue de Jesus para nossa remissão. Ele foi derramado por todos, mas é eficaz somente na vida daqueles que aceitam o sacrifício.
O sangue de Jesus é a nossa vitória (clamando o sangue de Jesus). Pastor presidente de uma das maiores convenções das Assembléias de Deus no Brasil fala sobre a importância do cristão clamar pelo sangue de Jesus.
 O sangue de Jesus na pregação de Spurgeon. - Um texto breve sobre esta doutrina vivenciada por Spurgeon.
 O sangue de Jesus na pregação de D.L Moody - Um texto breve sobre esta doutrina vivenciada por D.L Moody.
A maravilhosa doutrina do poder do sangue - A "descoberta" da doutrina bíblica do sangue por algumas denominações. Baixe alguns e-books dos heróis da fé, sobre o tema.

[6] INSINUAÇÕES MENTIROSAS CONTRA O USO DE ALEGORIAS, SÍMBOLOS E TIPOLOGIAS BÍBLICAS PRESENTES NA HISTÓRIA UNIVERSAL DO CRISTIANISMO E EM ALGUMAS TEOLOGIAS
 Os dois pesos e as duas medidas dos críticos quanto ao uso das tipologias bíblicas - A hipocrisia e a incoerência são os principais combustíveis utilizados para impulsionar alguns grupos de pescadores de aquário da internet. Eles ignoram a existência de outras teologias cristãs genuínas.  
A torá e a Salvação do Homem - A inteligência que organizou o canôn bíblico deixou alguns códigos, signos e símbolos instrutivos "amarrados" em seu sistema para serem redescobertos pelo homem em tempo oportuno. Vários cientistas cristãos e teólogos de renome como o Dr Christian Chen (que tem seus livros produzidos no Brasil pela Editora Clássicos) trabalham também com esta metodologia.
Cântico dos Cânticos: União e Comunhão Pessoal com Cristo - Hudson Taylor - (Editora Clássicos) - Hudson Taylor deixou um legado para a igreja evangélica mundial. Não há cristão que não se renda à maestria deste herói da fé, humilde e fiel a CristoExistem comentários maldosos na web, os quais afirmam que um grupo evangélico "inventou" as tipologias do livro de Cantares "para esnobar" outros crentes.
Edméia Willians pregando sobre Cantares de Salomão na Igreja Batista - Alguns grupos evangélicos utilizam de forma notável os mesmos métodos de Taylor, quanto ao livro de Cantares de Salomão.

[7] O CORONELISMO RELIGIOSO NOS LIMITES ECLESIÁSTICOS DO PROTESTANTISMO BRASILEIRO
Muitos crentes tapam os olhos para a falta de liberdade cristã (Cristo deu isto ao seu povo) e passam a viver como prisioneiros de um sistema religioso, quando deveriam ser servos apenas de Cristo e não dos sistemas com suas imposições extra-bíblicas.
Aos ministros evangélicos adeptos da teologia do medo...

[8] IDOLATRIA DENOMINACIONAL
Este tipo de pecado, além de fazer o cristão menosprezar outros servos de Deus (membros de outras denominações) que batalham pelo reino de Cristo, também produz a ira e a raiz de amargura no coração de muitos desviados. 

[9] MINISTÉRIO PASTORAL APASCENTADOR FEMININO
Este é um assunto polêmico que divide o nosso grupo de estudos bíblicos, haja visto que dele participam preletores e estudantes da Bíblia Sagrada de algumas denominações evangélicas brasileiras. Há aqueles e aquelas que são absolutamente contra o ministério apascentador feminino, há outros(as) que o consideram válido em casos específicos e inevitáveis (necessidades especiais) e outros(as) que são totalmente favoráveis a ele. O nosso objetivo aqui é instigar o leitor a pesquisar mais sobre este assunto tão polêmico.
Batistas abrem espaço para que mulheres sejam pastoras
  
[10] BATISMO INFANTIL (PEDOBATISMO)
O que Spurgeon pregava sobre o pedobatismo?O objetivo não é criar polêmica sobre este método usado por algumas igrejas evangélicas históricas, mas mostrar que toda igreja evangélica que conhecemos passa por cima da Sola ScripturaNo texto contido no link acima, Charles Spurgeon convida seus companheiros (pregadores da palavra de Deus, em seu tempo) a uma reforma no modelo eclesiástico. Tal reforma nunca aconteceu!

Que o amado, bondoso, grandioso e soberano Deus de misericórdia e de Paz verdadeira guarde os vossos corações em Cristo!

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